Está difícil fazer um autodiagnóstico?

Por que suas reações revelam mais sobre você do que sobre os outros

Escrevi um artigo recentemente falando sobre como melhoramos ao imitar quem é melhor que nós e a imitação Neurotizante, comento sobre precisar do outro para ser quem só você pode e deve ser, mas um problema que surge para quem verdadeiramente tem interesse nessa melhora é:

A maioria das pessoas está perdida em um nível que se perguntarmos diretamente essas coisas aparece mais desespero e não o efeito que gostaríamos, de calma e reflexão, para uma melhora verdadeira.

Quero te ajudar a começar a fazer esse autodiagnóstico.

Então vamos com calma.

Deveríamos ter em nós, bem organizado, de onde vieram nossos conceitos centrais, nossas crenças e de onde veio a experiência que molda nossas atitudes.

Por exemplo, porque eu falo que tal pessoa é boa e outra pessoa eu procuro guardar certa distância?

O que formou isso? Quais critérios uso? Por que esses critérios e não outros e de onde tirei isso?

Essas são perguntas que normalmente não fazemos e nem temos tempo ao longo do dia para ficar questionando esse tipo de coisa.

Imagina o quão desgastante seria ficar se questionando isso a cada atividade que realizamos ou que planejamos realizar ao longo do dia.

Mas nossas ações precisam ser intencionais. E para ser intencionais precisamos ter esse conjunto de crenças de forma clara e organizada na nossa cabeça. Caso contrário vamos viver de forma confusa ou incoerente.

Confusa porque a cada movimento vamos ter que parar e pensar o que seria melhor, ponderar e agir e nem sempre conseguimos fazer ou temos os recursos necessários para decidir. Incoerente, porque em certos casos o ambiente vai nos levar a decidir de certo modo e em outros de um modo inverso.

Esse é o ponto, esse tipo de intencionalidade é algo que vem de dentro, não de fora. Se o ambiente tem um poder determinante sobre você é porque você tem de forma muito mal meditada esse conjunto de crenças que formam seu modo de pensar.

As coisas vão apenas acontecendo e você segue reagindo. Quando na verdade o que deveria estar fazendo era responder, dar uma resposta pessoal e uma resposta correta.

Vamos olhar para uma questão prática e isso tudo vai ficar mais concreto e mais fácil de entender.

Vamos dar um passo atrás e ainda não olhar para o que tem dentro assim, diretamente, vamos olhar para fora e perceber:

A maioria das coisas que nos irrita nos outros tem relação com um defeito nosso.

Somos em geral bastante autorreferentes. Olhamos e agimos com os outros como uma espécie de espelho, refletindo nos outros nossa própria autoimagem.

É por isso que você já deve ter participado ou visto ao vivo um “concurso de tragédias”, quando cada um diz para o outro porque a vida dele é mais difícil e porque um está mais em dificuldade que o outro em uma sequência de lamentações, que as vezes acontece só porque o outro acha que seria educado reclamar da vida para parecer empático.

Temos uma dificuldade tremenda de olhar para nós mesmo e corrigir nossos defeitos, mas somos rápidos em olhar para o outro e colocar o dedo na ferida. Então comecemos por ai, e vamos utilizar esses defeitos para trabalhar alguma virtude em nós.

Se o fato do outro ser muito detalhista na história que conta, demorado para contar e parecer que faz rodeios infinitos para concluir um raciocínio me incomoda muito, isso toca no ponto da minha paciência, ou a falta dela.

Se o que me incomoda é a dificuldade do outro de entender algo que explico, isso revela em mim a minha incapacidade de comunicação ou mesmo de clareza no meu próprio entendimento.

As vezes o meu incômodo com o barulho na rua ou dos vizinhos revela em mim uma dificuldade minha de concentração e de silenciar meus pensamentos.

Já ouviu a expressão que diz que alguns aprendem pela dor e outros aprendem pelo amor?

Aparentemente a expressão sugere dois caminhos de aprendizado, quando na verdade é o mesmo. Esse é o caminho do amor. É que não prestamos atenção, mas olhar aquilo que dói é amar e, se amo o outro, aquilo que me incomoda nele eu corrijo em mim e melhoro, e aprendo.

Amo o outro e por isso me conserto e assim amo mais. Esse é o ciclo de aprendizado no fundo. Não são dois caminhos, mas um só. Se fica difícil olharmos para dentro e nos confrontar diretamente, podemos recorrer sempre ao caminho do amor.

Façamos o exercício, portanto.

Cada um desses defeitos revela em mim algo que me falta.

Esse é o exercício da busca das virtudes. Não está ali para criticar o outro e ver no que eu sou melhor, mais virtuoso e mais ordenado. É o contrário, é para pensar no que aquele defeito toca em mim, o que aquilo revela.

Assim, vamos corrigindo em nós cada uma dessas coisas que não conseguíamos ver por nos faltar atenção, por não conseguirmos olhar para dentro com clareza e isso vai produzindo em nós uma melhor capacidade de enxergar outros defeitos que tínhamos, formando um ciclo de melhora.

Esse é um ótimo começo.

A partir daí sim, podemos começar a avaliar de onde vieram nossas ideias e nos organizar por dentro.

Nossas ações precisam ser intencionais e deveríamos ter em nós, bem organizados, nossas principais crenças. Eu disse isso no início desse texto. Você tem todo o direito de questionar isso.

Por que intencionais? Por que organizadas?

Cada um age da forma que acredita ser o melhor para a vida. Mas falei também que queria te ajudar a fazer um autodiagnóstico. Então se você realmente quer ajuda vai perceber que esses dois fatores são essenciais para uma vida sincera.

Saber de onde vieram suas crenças. Você aprendeu com seus pais; amigos; livros; um influenciador no Instagram; um filósofo; uma doutrina religiosa?

Qual é a intenção daquela fala, pensamento ou ensinamento? Onde se quer chegar com aquilo? Quais os efeitos e os frutos que essa determinada crença provoca?

Você não precisa e nem vai fazer isso com tudo. Mas com aquelas crenças que acredita serem centrais na sua vida. Podemos separar por áreas da vida, como por exemplo:

questões físicas: rotina de sono, exercícios e alimentação;

questões pessoais: aspetos sociais e afetivos, de relacionamento e convívio, de amizades e familiares;

questões de trabalho: os objetivos do trabalho, das técnicas utilizadas e das habilidades necessárias e conquistadas, da sua relação com o trabalho;

questões intelectuais: relacionadas às perguntas que quer responder diante da vida, de assuntos que quer estudar e saber mais;

questões espirituais: os efeitos de uma prática religiosa, filosófica ou outro elemento da transcendência, se fundamentar, saber de onde vem, para que serve e que efeitos pode causar.

Essa observação vai criar um mapa de ação. Você vai saber de onde veio e para onde está indo. A partir daí vem a intencionalidade, guiada pela escolha de querer ir para determinado lugar ou outro e agir de acordo.

É assim que você vai poder dizer e fazer. Pensar algo e executar. E nesse caminho, nessa prática, no dia a dia, responder e se autodiagnosticar.

Isso vai te permitir chegar ao final de cada dia e poder responder a principal pergunta:

No fundo é sempre essa a nossa principal pergunta do nosso autodiagnóstico. Se eu repondo a isso corretamente todos os dias, acabo com o medo da pergunta maior e que desespera muita gente, que é saber se viveu bem a vida.

Para fazer essa pergunta não é preciso muita coragem, mas é necessário sinceridade e humildade. Para respondê-la também.

Mas é esse o tipo de resposta que a gente procura. Você ainda não precisa responder ela diretamente, mas comece perguntando, diante de cada problema, de cada situação que s apresenta na sua vida:

E tenho certeza que você vai parar de culpar as outras coisas e passar a colocar a atenção onde você realmente pode fazer a diferença.

Se ao chegar aqui você não consegue responder com clareza em torno do que sua vida está girando hoje, preparei um material gratuito, curto e direto.

Ao final, há um exercício simples com um único objetivo: ajudar você a perceber o que realmente tem guiado sua vida, antes de tentar mudar qualquer coisa.

Sobre o Autor

Bruno Vezzoli é terapeuta, atua há anos com orientação prática a partir da articulação entre vida interior, responsabilidade concreta e sentido.

Seu trabalho parte da convicção de que a vida não se organiza por fórmulas, mas quando a pessoa aprende a lidar com limites reais de tempo, força e circunstâncias, sem perder de vista aquilo que dá sentido às escolhas.

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