Você não está cansado.
Está Perdido.

A diferença entre o cansaço que passa e o que não passa e o que fazer com cada um.

Você trabalha, cuida da casa, da família, faz as coisas que precisa fazer, as vezes algumas ficam para trás, normal, mas cuida das coisas e ao final do dia está completamente cansado, exausto.

Ótimo, isso na maioria dos casos é um bom sinal. Sinal de que fez tudo o que precisava ser feito, de que está no caminho.

O problema surge quando, no dia seguinte, você acorda com o mesmo cansaço. Com aquela sensação de que dá para começar o dia, que o corpo descansou, mas o cansaço permanece ali. E agora lendo essa última frase “está no caminho”, você para e se pergunta: Que caminho? A caminho de que?

É justamente sobre isso que eu queria falar.

Confundimos estar cansados com um tipo de insatisfação. Não uma insatisfação comum de não gostar do resultado de algo executado, pronto e finalizado, até porque dificilmente conseguiremos visualizar esse todo na nossa vida.

Uma insatisfação com o nosso dia, de chegar ao final dele e nos perguntar: O que eu fiz hoje?

Essa resposta deveria ser muito clara para nós, mas nos acostumamos a viver uma vida inteira no automático. Porque eu acordo às 6h da manhã? Ou às 5h? Ou às 8h? Ou 10:30?

Se a resposta é simplesmente: porque entro no trabalho às 7h ou porque hoje é domingo e não tem nada para fazer, perceba que aquela insatisfação já encontra um correspondente muito provável?

São as tarefas de cada dia que vêm guiando as suas ações e não a sua intenção. É mesmo muito provável que ao chegar ao final do dia você esteja completamente exausto e insatisfeito. Com uma sensação de que não fez nada do que queria e que essa vida não está sendo vivida de forma particular por você, mas que você está inserido em um sistema que te obriga a viver assim.

Olha a bola de neve que vai se formando.

Acordo determinado pelo horário que preciso estar em algum lugar ou com um compromisso que exige de mim um tempo de deslocamento. Trabalho cumprindo exigências e parâmetros não estabelecidos por mim, mas seguindo as ordens que recebi. Algumas das tarefas eu sei fazer melhor, outras me custam muito mais, chego em casa ao final do dia precisando muito descansar, porque já sei que no dia seguinte tudo isso irá se repetir.

Como alguma coisa para recuperar as energias, em muitos dias procuro coisas calóricas, estou cansado, quanto mais energia e mais rápido melhor. Não quero pensar muito, então consumo ali vídeos no celular enquanto como e depois deito no sofá para ver algo que não precise pensar muito: séries, um canal que acompanho no Youtube ou algo assim, e muitas vezes continuo usando o celular, dividindo minha atenção.

Os olhos pesam, começo a arrumar tudo para dormir e começar outro dia e o ciclo recomeça.

Esse é um exemplo muito comum. Em famílias algumas alterações também aparecem e que pedem maior esforço. Dar banho nas crianças, arrumar o jantar, colocá-los para dormir. Nesses casos ainda vemos o cansaço dos pequenos somado ao cansaço dos adultos, resultando em muitos casos em stress, gritos e choros. E mais cansaço!

Qual o ponto em comum?

Quem está dirigindo o roteiro dessa vida? De onde surgem as verdadeiras demandas? Qual é o resultado esperado de cada ação executada?

Se não tivermos atenção a pelo menos essas perguntas ao longo do nosso dia, dificilmente chegaremos ao final do dia com a cabeça deitada no nosso travesseiro e pensaremos que foi um dia bem vivido. A sensação será muito mais de: Que bom que acabou!

Honestamente, é pesado viver uma vida inteira assim. E, de verdade, não precisa ser desse jeito.

Cansaço é uma coisa, ausência de direção é outra e apesar de serem confundidas, cada um tem um remédio, uma solução própria e se não tivermos atenção tentaremos medicar uma com o remédio da outra e continuaremos apresentando os mesmos sintomas.

Cansado ou Perdido, qual é você?

A vontade é responder que nenhum dos dois. Mas ter a sinceridade de olhar para a própria vida e responder isso já é um ótimo primeiro passo.

Se você está cansado, isso não precisa ser necessariamente um fator negativo. Isso se estivermos falando do cansaço físico ao final de um dia exigente, mas gratificante. Se você consegue chegar ao final do dia e, cansado, encosta a cabeça no travesseiro e olha para o seu dia e pensa: Hoje foi um bom dia, com aquele olhar de “obra terminada” e pode contemplar aquelas realizações por alguns minutos, esse certamente é um bom cansaço.

É um cansaço físico, de um corpo que cumpriu com o que você planejou para aquele dia, daquilo que viu que era bom e que executou.

Para esse cansaço físico podemos sim agir em algumas frentes, dentro das nossas possibilidades.

Observar o tempo e a qualidade do sono, da roupa de cama, do travesseiro, do pijama;

Avaliar se determinado exercício físico se encaixa na sua rotina, para fortalecimento específico de algo que está te debilitando, ou para preparo físico mesmo, te deixando mais disposto para a rotina;

Entender suas necessidades nutricionais, se está comendo menos que deveria ou mais. Se os horários que tem se alimentado e com o que tem se alimentado em cada horário contribuem ou atrapalham nesse cansaço.

Isso é relativamente simples de fazer, um pouco mais demorado para implementar, mas plenamente possível e se o cansaço for físico isso vai resolver, dentro das limitações possíveis, cansados nós vamos mesmo ficar.

O problema maior está em um outro tipo de cansaço. Aquele que confundimos com falta de direção e que usamos dos “remédios” errados para combater.

O primeiro deles é um cansaço que aparece na falta de desejo de realizar determinadas tarefas. Aqui vale uma distinção importantíssima. Essa falta de desejo vem de não ver sentido na tarefa que está executando, ou de não ver resultado naquilo que está fazendo?

Essa distinção é muito importante, porque “remédios” diferentes deverão ser utilizados.

No primeiro caso, você precisa avaliar o que realmente era o sentido de fazer determinada atividade quando começou e se essa motivação permanece ou não.

Algumas tarefas parecem muito importantes em um período da vida que assumimos em fazê-las, mas depois de certo tempo, apesar delas se tornarem rotineiras, elas passam a não fazer mais sentido em ser executadas e realmente devem ser deixadas de lado. Muitas vezes insistimos nisso e nos desgastamos em algo que não faz mais sentido fazer, que já cumpriu o seu papel, ou que já não atendem mais ao objetivo maior.

No segundo caso, precisamos avaliar o que estamos fzendo ou deixando de fazer para que esse resultado não aconteça. Nesses casos teremos normalmente 2 tipos de resposta, as vezes as duas em conjunto, que são: Falta de atitude, de ralmente fazer acontecer, de ação; ou falta de competência técnica, de sentar e gastar um tempo entendendo a situação, conversar com pessoas que já passaram por determinado problema, ou estudar no sentido mais literal, através de livros, cursos ou tutoriais, dependendo da tarefa a ser executada.

Ou mesmo buscar algum tipo de serviço especializado, alguém que possa ser uma espécie de tutor ou que possa resolver por você determinada situação pontual a depender do caso.

Isso vai se aplicar a cada caso concreto com a melhor opção, mas essa distinção inicial é fundamental para que você não deixe de lado algo que deveria insistir e se capacitar ou que insista em algo que deveria ser abandonado.

O cansaço pode aparecer como uma imagem de quem rema, rema e não chega ao outro lado. Ele é parecido com quem busca resultados e não o encontra, mas com um problema anterior. Ainda nem é o caso de não ter capacidade técnica ou ação, é não saber o que é esse tal outro lado.

Muitas vezes agimos no automático. É o que todo mundo faz, ou chamamos de caminho natural a seguir, e não paramos por algum momento e avaliamos o que é o outro lado.

Podemos chamar isso de intencionalidade. Qual é a nossa intenção com determinada ação?

Percebe que nem se trata ainda do resultado em si, mas de saber qual resultado se esperar? As vezes estamos fazendo as coisas e o resultado possível para aquelas nossas ações está até acontecendo. Mas nos sentimos cansados por não ser aquele que esperamos. Precisamos então parar e nos perguntar: Espera aí…esse é o resultado que eu queria com essa ação? O que eu queria mesmo?

E isso começa a realinhar novamente nossas ações, objetivos e capacidade técnica necessária.

É só a partir daí que podemos falar de um cansaço mais amplo. Aquele de saber se estou remando mar a dentro ou em direção a outra margem, se estou buscando aprofundar, ou chegar em algum lugar.

Cada um desses objetivos requerem um tipo de esforço e dificuldades a serem sustentadas pelo caminho. Se nos confundimos isso pode cobrar um preço que não estamos dispostos a pagar.

Remar mar a dentro, nos aprofundar em assuntos, estudar de fato e conhecer é um caminho mais solitário, Muitas vezes você vai fazer descobertas que serão muito interessantes, mas serão interessantes somente para você. Você vai olhar em volta e ver que não pode compartilhar isso com ninguém.

Vai olhar para sua vida e muitas vezes essas descobertas, esse aprofundamento vai te fazer muito bem, vai fazer aquele click na sua cabeça, mas não terá uma utilidade no sentido prático de resolver um problema diário ou te fazer ganhar mais dinheiro.

Por outro lado, aquele esforço de chegar a outra margem depende também de ter esses outros tipos de cansaço bem definidos, mas a partir daí vai traçar um plano. Tem cronograma, tem tarefas a serem cumpridas, tem prazos a serem batidos e informações a serem analisadas.

Pode ser solitário também por algum momento, mas é completamente diferente, é uma missão com prazo para acabar, que pode ser muito recompensador se for projetado de forma realista, dentro de suas capacidades e limitações, ou muito frustrante se você não entender bem o que está fazendo ou quem é que está executando.

Sinceramente, isso é um negócio lindo de ver.

Um projeto pessoal é uma das maiores maravilhas do mundo. Nos conhecemos muito nesse processo, respondemos muitas perguntas que aparecem pelo caminho e isso é o que mais se aproxima de forma prática ao sentido da vida.

Responder às perguntas que nos são apresentadas ao longo do caminho sem deixar nos perder.

Esse negócio é bom demais.

E esse negócio é claro que cansa. Agora, se faz necessário saber, é um cansaço normal? É que tipo de cansaço? Qual solução é a mais justa para esse tipo de cansaço específico? Ou estou só perdido mesmo, correndo em círculos e cansando à toa?

Saber de onde vem o cansaço e pelo que se está fazendo. Não se trata de encontrar um propósito ou algo assim, mas de se colocar em uma posição existencial de disposição diante da vida que quer realizar. Essa é a posição que nos move verdadeiramente.

A pergunta que fica é: você está descansando de algo real, ou está fugindo de uma pergunta que ainda não teve coragem de fazer?

Se ao chegar aqui você não consegue responder com clareza em torno do que sua vida está girando hoje, preparei um material gratuito, curto e direto.

Ao final, há um exercício simples com um único objetivo: ajudar você a perceber o que realmente tem guiado sua vida, antes de tentar mudar qualquer coisa.

Sobre o Autor

Bruno Vezzoli é terapeuta, atua há anos com orientação prática a partir da articulação entre vida interior, responsabilidade concreta e sentido.

Seu trabalho parte da convicção de que a vida não se organiza por fórmulas, mas quando a pessoa aprende a lidar com limites reais de tempo, força e circunstâncias, sem perder de vista aquilo que dá sentido às escolhas.

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