O Funil do Sucesso: A Arte de Escolher o que Não Ser
O que é o sucesso diante das nossas possibilidades
Não sou um grande conhecedor de futebol, entendo o jogo, acompanho as vezes, mas não conheço muito da história.
Agora, se tem um jogador que sempre faz eu gastar alguns minutos vendo os vídeos é Ronaldinho Gaúcho, o Bruxo. Gosto de ver a naturalidade, a atenção perfeitamente desatenta que só quem dominou completamente o ofício sabe aplicar à prática.
Copa do Mundo, Bola de ouro, Champions, Libertadores. Recebeu aplausos da torcida do Real Madrid dentro do Santiago Bernabéu vestindo a camisa do Barcelona, ganhou até taça da prisão.
Conquistou aquilo que queria, viveu do jeito que entendeu por sucesso e em entrevistas já disse ter feito o suficiente.
E o que ouvimos daqueles que não conquistaram nada, nem metade do que ele fez, é:
“Se ele (Ronaldinho) tivesse saído menos na noite, se tivesse se dedicado mais aos treinos como Cristiano Ronaldo ou se mantivesse o foco como o Messi, se levasse mais a sério teria sido o maior de todos os tempos. Ele é um caso de alguém que desperdiçou seu talento.”
Consegue ver a besteira que é encarar a vida dessa forma?
Claro que a opinião dessas pessoas não vale absolutamente nada.
A opinião de alguém deveria ser levada em consideração proporcionalmente ao tempo que a pessoa que deu a opinião gastou debruçada sobre o assunto que opina e quem fala essas coisas normalmente não pensou nem na própria vida, que tem informações, menos ainda na vida alheia.
Mas isso revela um ponto importante e uma armadilha que pessoas que querem viver uma vida bem vivida encaram e muitas vezes se deixam levar por esse tipo de raciocínio equivocado.
POSSIBILIDADES
Nossa vida é um funil de possibilidades.
Se olho para minha filha de 2 anos de idade vejo incontáveis possibilidades para ela, não infinitas, porque algumas determinações já aparecem desde sempre. Mas incontáveis.
Quanto mais ação eu tenho no mundo, quanto mais habilidades vou desenvolvendo, menor é o conjunto de possibilidades que tenho.
Parece controverso, mas é exatamente assim que a nossa realidade funciona.
Possibilidade não quer dizer muita coisa, quer dizer apenas que isso de alguma forma pode se realizar, não que tenha um probabilidade real de que aconteça, não ao menos enquanto alguns elementos sejam de fato colocados na mesa.
Habilidades que precisam ser desenvolvidas, força que precisa ser conquistada, circunstâncias que podem ou não existir e tudo isso seja sustentado, que seja compatível com a realidade e que possamos escolher cortar ou perseverar.
Nossa história não é escrita sobre as possibilidades que um dia existiram, mas sobre aquelas que decidimos que não iriam mais existir e aquelas que optamos por perseverar e repetir dia após dia.
Em entrevista após ser questionado sobre suas possibilidades, Ronaldinho disse:
“O que eu fiz foi suficiente para realizar todos os meus sonhos, eu estou satisfeito.”
Sucesso pode ser muito bem definido como a realização pessoal de objetivos planejados.
Planejar uma vida e realizar esse plano conforme o planejado, de um jeito próprio, pessoal, e obter os resultados desejados.
Não significa alcançar algo que os outros julgam como sucesso, mas naquilo que você quis e planejou e alcançou.
Diante disso vemos desde o menino adolescente que é muito inteligente e tem muito potencial, mas que ainda não se encontrou, até Ronaldinho Gaúcho que fez o que fez e diz estar satisfeito e feliz o grande segredo da vida de sucesso.
Estreitar esse funil de possibilidades de modo que você escolha aquelas que quer eliminar e as que quer persistir até que consiga realizar aquele plano que pensou.
Sem isso não há narrativa, sem isso não há sucesso, mesmo com outras pessoas dizendo o contrário.
Ronaldinho teve sucesso? Com certeza, inegavelmente sim.
É a mesma definição de sucesso que você vê como sucesso?
Essa é outra história e não cabe a mim ou a você definir o que ele deveria planejar e perseguir como sucesso. Cabe a ele e, como ele mesmo disse, está feliz e satisfeito.
O que buscamos sempre é e sempre será uma busca por uma força que possa antecipar nossas necessidades físicas, contornar nossas necessidades intelectuais e se conformar ao acaso da vida. Essa força não precisa vir de grandes novidades, mas de tirar aquilo que não é central para nós de nossas vidas e fazer melhor aquilo que é o eixo mesmo da nossa narrativa.

E fazemos isso como um artista que modela em uma pedra de mármore bruto uma escultura, tirando da peça de mármore aquelas possibilidades que não fazem parte da própria história.
Essa é a liberdade que temos, escolher os pedaços de mármore que vamos retirar do grande bloco de pedra até chegar à escultura que desejamos, assim como perseverar em formatar a escultura segundo o desenho que desejamos, essa é a narrativa da nossa história.
E chegar à escultura que desejamos é o que podemos chamar de sucesso.
Não caia na armadilha de basear seu sucesso na impressão ou expectativa alheia.
Sucesso só é sucesso se você alcançar aquele plano que você escolheu seguir e cumpriu, e perseverou, e encontrou dentro daquele bloco de mármore quem você queria formar, e precisou tirar muita pedra dali até chegar lá.
Como nos disse nosso professor Olavo “O que importa não é você alcançar algo que os outros consideram um sucesso, no qual os outros vejam um sucesso, mas alcançar o sucesso exatamente naquilo que você quis e planejou fazer.”
E isso é o contrário do egoísmo, estamos tratando aqui da vontade na sua melhor forma, de uma auto-transformação planejada e deliberada que é a essência mesmo do que é ser humano. Estabelecer uma meta e agir em direção a ela de forma coerente em um plano de vida.
Ronaldinho tinha um plano e o cumpriu, está feliz e satisfeito, mas para mim esse que está feito já não me importa tanto, me importa saber o que você tem feito com a sua vida, qual é o seu plano e como está esculpindo esse bloco de mármore bruto.
Quais são as partes que corta da sua vida a cada dia para dar forma a esse projeto?
O que tem ai dentro que você precisa esculpir e realizar?
É isso o que me interessa!
O bloco de mármore existe. A questão é saber por onde começar a tirar pedra.
Se ao chegar aqui você não consegue responder com clareza em torno do que sua vida está girando hoje, o Terapia Express foi feito para isso. São 7 dias para encontrar um eixo praticável, não uma fórmula, mas um ponto de partida real dentro da sua realidade concreta.

Sobre o Autor
Bruno Vezzoli é terapeuta, atua há anos com orientação prática a partir da articulação entre vida interior, responsabilidade concreta e sentido.
Seu trabalho parte da convicção de que a vida não se organiza por fórmulas, mas quando a pessoa aprende a lidar com limites reais de tempo, força e circunstâncias, sem perder de vista aquilo que dá sentido às escolhas.

Pingback: Inventário de Bens -