Você quer ser o MVP com um MVP
A Honestidade de Reconhecer o Próprio Tamanho
Quem acompanha esportes e negócios estará mais familiarizado com essa nomenclatura, mas mesmo quem não acompanha, certamente está familiarizado com esse desejo.
O MVP no mundo dos esportes é o melhor jogador, seja do campeonato, da temporada ou do jogo.
Most Valuable Player (MVP) é normalmente aquele que se provou no tempo, as vezes em mais, outras em menos tempo, mas tem uma comprovação fática do feito, não em termos de provas, mas em resultado prático. Não é necessariamente aquele que tem as melhores estatísticas, mas o que faz a maior diferença no jogo como um todo.
Isso é desejável e admirável. O problema está quando você quer fazer isso com um protótipo, com um MVP, que no mundo dos negócios significa o Minimum Viable Product (MVP), mesma sigla, significado completamente diferente.
O produto mínimo viável (MVP) seria a primeira versão possível para se liberar no mercado com o objetivo de testar o produto antes de investir maiores recursos no projeto. Nele colocamos o mínimo de recursos para permitir um teste e gerar os primeiros resultados desejáveis para avaliar a sua viabilidade.
O que tem acontecido com muita frequência é um descompasso entre o que esse produto oferece e o prêmio desejado. E isso tem sido motivo de grande parte das frustrações e do abandono de grande parte dos projetos.
Aqui vemos dois efeitos possíveis. A falta de experiência ou mesmo de capacidade de saber o que um mínimo produto viável pode entregar ou o tempo que pode ser desenvolvido, seja a primeira versão ou versões posteriores.
Ou o desejo por ser o melhor jogador em algo que você não tem prática alguma, subestimando o esforço e sacrifício necessários no tempo hábil.
E para que fique claro, não estou falando de esportes ou negócios necessariamente.
Quando olhamos para nós mesmos, adotando uma postura humilde e sincera diante da realidade, vamos notar que para algumas coisas temos mais habilidades desenvolvidas, uma capacidade de responder melhor, ou mais atributos que naturalmente nos beneficiam, enquanto para outras estamos apenas começando os primeiros testes de viabilidade.
Você já deve ter escutado aquela frase de que subestimamos o que podemos fazer no longo prazo e superestimamos o que podemos fazer em prazos mais curtos. Ela é parcialmente verdadeira.
Mas o que importa nesse raciocínio é um ponto ainda anterior a esse.
É uma coisa que chamamos de Planejamento.
Temos muitos desejos, mas pouquíssimo planejamento.
O desejo de ser inteligente. Mas nenhum planejamento prático para ler os livros necessários, assistir horas de vídeos e cursos, fazer as anotações, articulações, pesquisas e quebra de conceitos que tomamos como verdade quando começamos a estudar.
Um desejo de inteligência sem a inclinação verdadeira para encontrar a verdade e se conformar e se submeter a ela não é um desejo real, mas somente o de parecer inteligente, ou os efeitos da inteligência, sem ser inteligente mesmo, de fato.
O desejo de ficar forte ou em forma, sem o treino diário, a dieta regrada, as dores no corpo e os limites físicos exigidos e superados. Sem o tempo necessário para se fortalecer e se recuperar, sem um sono mais regrado.
É um desejo pelo resultado, e os frutos que o resultado pode proporcionar, não por conquistar aquilo verdadeiramente.
É disso que estou falando quando digo ser um MVP com um MVP. Dessa busca por resultados, por se apresentar como o melhor, sendo ainda apenas uma primeira versão que não se testou, que ainda não teve tempo ou empenho necessários para alcançar os resultados desejados.
E isso se reflete em diversas outras áreas, como buscar motivações sem ter motivo, cumprir formalidades sem ter forma, ou buscar organizar alguma coisa sem ter ordem.
Buscar ser esse MVP está muito mais ligado a um efeito do que vemos nas redes sociais hoje do que um desejo real.
Hoje é muito comum alguém começar se apresentando como o fundador de não sei o que, ou o CEO da empresa que é um escritório em casa. Ou o melhor em uma área que ele inventou, ou mesmo qualquer um desses títulos que podem fazer alguém se sentir importante antes de te vender alguma ideia nova.
E isso foi ensinado em muitos lugares como o certo a se fazer para ganhar “autoridade”.
“Escreve um livro sobre o tema para ganhar autoridade”. Pronto! Agora você é autor do best seller que foi vendido na Amazon por R$0 e tem diversos “leitores”.
Isso não é autoridade. Mas você escuta isso, compra a ideia, e passa a querer aquilo também.
Você acompanha de perto 6 pessoas virtuosas e boas no Instagram e os vê como modelos a serem seguidos em suas áreas. São uma espécie de MVP e você deseja aquelas características também.
Acontece que dois deles se interessam por temas ligados à história, outros dois por investimentos, outro por futebol e o último por qualquer outra coisa específica.
Quando você se vê no meio querendo se interessar maximamente por todos esses temas, seguindo-os e copiando aquelas boas referências que todos eles indicam. Todas elas são boas para eles, foram filtradas, são pessoas que você conhece e confia no julgamento e por isso toma como boas para você.
Mas ao fim de uma rodada de referências dessas já se vê exausto, não consegue acompanhar aquilo tudo, não tem profundidade em nada daquilo e se cobra por ter certos resultados, porque afinal, você percebe que aqueles são bons modelos.
Percebe o que está querendo fazer? Ser um MVP com um MVP. Ser um MVP em algo que nem parou para ver se isso faz realmente sentido dentro do seu eixo, para a sua vida. Cobrando resultados de performance de um produto mínimo viável, que você acabou de começar a construir para testar, não ainda para gerar resultados expressivos.
E você se frustra, se irrita e cobra todos os outros a sua volta por reconhecimento e resultados, por mudanças e por seguir o certo.
E nem percebe que melhorou nesse processo, mas que as vezes buscou a melhora para áreas tão díspares, tão desconexas que não consegue perceber isso tendo algum impacto real na sua vida. menos ainda para os seus planos e objetivos, que muitas das vezes você nem sabe quais são ou quais poderiam ser.
Isso tem o efeito de causar uma frouxidão moral ao longo do tempo. Reduz a sua vontade e a sua esperança diante daquilo que precisa ser feito e que parece longe.
Aquele efeito conhecido por muitos de: saber o que deve ser feito, mas não saber nem por onde começar para que aquilo se realize de fato. A cobrança interna continua ali presente, te esmagando, as horas ficam longas quando você se dispõe a realizar algo que sabe que deveria e você volta a depositar as esperanças naquela vontade de ter os bens resultantes do trabalho, sem o esforço e o sacrifício necessário para alcançá-los.
É isso que conhecemos por Preguiça.
Colocando Ordem no Projeto
A ordem só surge quando sabemos aquilo que é grave na nossa vida, aquilo que puxa tudo para o centro, como a força da gravidade, que não pode ser evitada.
Quando temos o nosso eixo claro, sabemos aquilo que é pessoalmente grave para nós, começamos a nos ordenar interiormente antes de querer organizar ou copiar qualquer coisa do lado de fora.
Vamos deixar de lado essa besteira de falar que sou o melhor nisso ou naquilo, o fundador de tal ou qual coisa e perceber com sinceridade que somos dependentes.
Dependemos de quem mantém a internet funcionando para que possamos realizar um trabalho, das pessoas que fazem a manutenção da rede elétrica, do padeiro que fez o pão que tomamos no café da manhã e daquele que preparou o café.
Começamos a nos colocar no nosso devido lugar e a olhar para a realidade conforme ela realmente é. E percebemos também que várias pessoas na nossa vida são dependentes de nós para várias coisas também.
Isso começa a nos dar um bom mapa de ação e de elementos fundamentais para que possamos nos orientar em nossas vidas.
A partir daí vamos organizar a força que nos é necessária, quais compromissos assumimos e que devemos ser fieis, quais são as nossas responsabilidades e pelo que devemos responder. Com esses elementos, e que são muito pessoais, podemos buscar uma ordem que se dá na permanência fiel àquilo que é grave em nossas vidas.
Evitamos o sacrifício de coisas que sabemos que são necessárias na nossa vida e evitamos porque sabemos que vai custar. Mas um plano só acontece quando o elemento do sacrifício está presente, caso contrário trata-se apenas de um desejo.
E um desejo daqueles que falávamos, sem colocar os meios necessários, desejando apenas os resultados.
O caráter emocional da cultura brasileira não é de todo mal, tem seus benefícios. No entanto, se não deixarmos de ser reativos para ser realizadores, continuaremos a sofrer com essa fuga da dor e do sacrifício a qualquer custo e pagaremos por nossa falta de planejamento no futuro. Não no futuro do país como nação, no nosso futuro e das nossas famílias.
Você precisa estabelecer um plano de longo prazo. Uma habilidade que quer adquirir até o final desse ano, um projeto que quer tirar do papel e realizar dentro dos próximos 2 anos, uma condição física que quer ter dentro do próximo ano.
Poderíamos falar de longo prazo realmente, de períodos maiores, mas vamos começar com esses.
O que eu quero que você perceba é que, colocando os meios necessários e sendo fiel a esse plano, dentro do período estabelecido, você ainda não terá 100% daquilo concluído, pronto e acabado, mas terá certamente, melhorado.
E quando assumimos essa postura diante da vida começamos um ciclo de melhora contínua, vamos ganhando força e nos colocando com mais disposição ao peso e ao sacrifício, que vai nos fazendo construir mais força para sustentar o bem que buscamos.
Essa é a luta diária de se instalar na realidade com uma responsabilidade pessoal, buscando uma ordem interior diante de um sacrifício real e abandonando as ilusões de desejos sem os meios para alcança-los.
Permanecer fiel diante desse eixo da vida é o que vai matar essa cultura do menor esforço, da preguiça e fazer a nossa vida andar de forma consciente, não ocasional.
Se você precisar de algo mais concreto e mais direcionado, há dois caminhos possíveis a partir desse texto.
O primeiro é dar um passo concreto agora. O Terapia Express é um protocolo de sete dias para encontrar um eixo praticável e sustentá-lo por trinta dias. Sem teoria, sem motivação, sem promessa fácil. Só trabalho honesto com a sua realidade.
O segundo é começar pelo diagnóstico. Se você ainda não tem clareza sobre onde sua vida perdeu a direção, há um material gratuito que pode ajudar a nomear isso antes de qualquer decisão. → Receber o material gratuito

Sobre o Autor
Bruno Vezzoli é terapeuta, atua há anos com orientação prática a partir da articulação entre vida interior, responsabilidade concreta e sentido.
Seu trabalho parte da convicção de que a vida não se organiza por fórmulas, mas quando a pessoa aprende a lidar com limites reais de tempo, força e circunstâncias, sem perder de vista aquilo que dá sentido às escolhas.
