Atenção e Produtividade
Seu problema não é a produtividade, é a Atenção
Hoje se discute muito sobre a influência da tecnologia, do uso da IA, do impacto das redes sociais no convívio humano e nas relações.
Isso tudo tem sim um impacto. Mas muito mais importante que isso… Onde está a sua atenção?
A IA causa dois efeitos imediatos na maioria das pessoas.
O primeiro é um tipo de desespero, achamos que estamos atrasados, desatualizados ou que seremos facilmente substituídos.
Foi assim com grande parte das novas tecnologias introduzidas e sabemos que não é bem assim que funciona, tão imediato, nem dessa forma que, muitas vezes, nossa imaginação nos leva a pensar. Mas mesmo assim, nos desesperamos e nos convencemos disso.
O segundo efeito que pode acontecer é o oposto: pensar que isso não vai mudar nada nossas vidas e não se importar com o que está acontecendo.
Esse não gera um efeito de desespero que te desconecta da realidade, mas leva às mesmas consequências, te levando a se desconectar da realidade por não aderência a uma nova tecnologia que vai sim mudar muitas coisas.
A IA é uma ferramenta e deveria ser utilizada para fortalecer seus pontos fracos e deixar ainda mais forte seus pontos fortes.
Mas se você nem sabe quais são eles, se seu nível de consciência é baixo, a IA vai te servir muito pouco. Talvez por isso você veja a ferramenta como mero entretenimento ou um tipo de ameaça hoje.
Hoje vemos um desenho na sociedade de cada vez mais neurose, com menor nível de consciência e uma preferência temporal cada vez mais alta (imediatismo).
Isso está tudo interligado, certamente. Não são problemas isolados, são todos elementos de um mesmo problema. Da sua falta de ATENÇÃO.
A nossa atenção molda o nosso Ser
Qual foi a última vez que você planejou algo e levou até o fim?
Fazer compromissos, fazer planos e levá-los até o final, até as últimas consequências. Esse é o nosso combustível. É ali onde nossa atenção precisa repousar, é ali onde está o nosso eixo.
Poucos planos e muita dedicação a cada um deles. Isso é o que vai nos moldando ao longo da vida. É isso o que determina o que somos.
Aquele que fez, que é algo, ou aquele que está perdido, sem direção, que “tentou” várias coisas, mas que não logrou nada, que não alcançou aquilo que esperava (e que no fundo sabemos que você nem esperava tanto assim, caso contrário não teria tentado, estaria ai, insistindo, e levando até as últimas consequências os resultados das suas escolhas).
Nossa atenção aponta o caminho, nossos hábitos constroem esse caminho diariamente, é assim que nossa atenção vai moldando ao longo do tempo o nosso ser.
Não me entenda errado, sou a favor de fazer planos produtivos e não abrir mão de que aquele plano seja cumprido. Voltar nele e atacá-lo por todos os lados até que aquilo seja realizado, até que você se acostume, crie mesmo um hábito de cumprir as tarefas que começou, de maneira absoluta.
Por outro lado, não sou nada contrário à desistência. E isso pode parecer contraditório em um primeiro momento, por isso é importante fazer essa distinção antes de seguir.
Produtividade e Performance
Fazer planos produtivos e tornar esses planos um hábito diário, se acostumar a cumprir os planos e voltar sempre neles até que todos estejam cumpridos ao longo do dia, da semana, do ano ou mesmo de períodos maiores.
Sem isso você será certamente consumido por neuroses, por fragmentações e pela sua própria ansiedade.
A ansiedade tem raiz no medo. Não é um medo qualquer, mas especialmente o medo do sofrimento.
Obviamente ninguém quer sofrer. O sofrimento se manifesta de diversas formas e com diversas intensidades. Não vamos buscar fazer algo para sofrer, mas há uma diferença entre aceitar o sofrimento inevitável e fugir a qualquer custo do sofrimento.
O que vemos hoje quando tocamos no tema da produtividade e da performance é justamente uma tentativa de mitigação desse medo e, no limite, uma fuga incessante desse medo de sofrer.
É nesse ponto que muita gente se confunde todo. Mistura trabalho, dinheiro, execução de tarefas, cumprimento do dever, eficiência, vocação e modelos de vida.
O sofrimento vai se manifestando de várias formas como um tipo de revolta contra a realidade e na tentativa de não sofrer vamos cada vez mais fugindo dessa realidade, que é a nossa, e que seria justamente o remédio contra essa revolta e contra esse sofrimento exacerbado.
Com as neuroses aumentando e o nível de consciência diminuindo, a tendência é que a insegurança aumente e se acentue ainda mais com os erros de percepção sobre a realidade que você vive.
Você vai perdendo, aos poucos, a noção sobre o quanto as suas ações impactam a sua vida e as pessoas à sua volta.
As amizades ficam comprometidas e a capacidade de fazer novas amizades mais ainda, a sua atenção vai sendo minada pelo seu olhar que já não sustenta uma imagem com baixos estímulos, uma conversa mais longa ou uma história mais detalhada.
Você diminui o cuidado que toma com as coisas e com as decisões que toma no dia.
Com os hiper estímulos vamos nos acostumando com coisas cada vez mais superficiais, pequenininhas e vamos perdendo a capacidade de fazer juízos sobre questões mais complexas da nossa vida, ou simplesmente olhar para o nosso dia com calma e avaliar nossas ações, refazer nossos próprios juízos e retomar um plano que queremos.
Muitas vezes nem temos planos, nem sabemos o que queremos, não é verdade?
Vivemos em uma sociedade de performance na qual nem sabemos quais são os parâmetros analisados para performar.
Queremos sempre maior produtividade e uma capacidade de performar em tudo e não sabemos nem se aquilo que estamos fazendo será bom para nós mesmos.
A regra é nunca desistir, mas o efeito que vemos disso é um caminhão de gente iniciando coisas que não irão sustentar nem pelos próximos 30 dias.
Para não desistir você não declara isso, no lugar, você cria um novo projeto para maior performance, estuda mais sobre produtividade e procura meios de eficiência, ferramentas que te permitam relaxar enquanto a tecnologia faz o trabalho duro.
Na maioria dos casos são apenas desculpas para você continuar parecendo que está performando enquanto nem sabe o que está fazendo.
A reposta não está em novos métodos, nem em novas ferramentas. Tudo o que existe nesse mundo existe de forma completa. Os problemas sem solução costumam ser aqueles que nós mesmos criamos nas nossas cabeças.
Aumentar a produtividade, melhorar a performance, esses são elementos interessantes, mas para um segundo momento. Não começamos por aí.
Primeiro precisamos saber o que eu quero; quem sou eu; o que tenho para oferecer; quais compromissos assumi; como cumprir com essas obrigações; como fazer isso bem feito.
A partir daí serei livre para errar, aceitar as consequências e refazer os planos, ajustar as ações e perseguir aquilo que a minha vida, que a realidade, me pede.
Antes disso não cabe falar de performance, de produtividade ou qualquer coisa do tipo. Pode ser que nem chegue esse momento. Mas haverá o momento de falar de desistir, de abrir mão de certas coisas, de planejar outras e de agir, com muita intensidade, nessas poucas coisas importantes.
Se isso estiver no lugar, aí sim, estamos falando de vida humana, e vida humana com sentido. E aí não serei eu nem nenhuma propaganda que irá te dizer se você está performando bem ou mal nas atribuições que sabe que são suas.
Você será capaz de fazer os juízos necessários para, dentro da estrutura da realidade, definir o que são esses parâmetros e o que precisa mudar, ou o que requer mais atenção.
O Caminho de volta
Então nesse momento, não tem muito valo falarmos de sentido da vida, ferramentas de performance ou formas de alcançar os seus objetivos.
Precisamos fazer um trabalho anterior. Retomar a sua atenção.
Você vai precisar testar. Não existe uma fórmula que vi funcionar pra todo mundo da mesma forma. Algumas coisas funcionam muito bem para alguns e são grande fonte de neurose para outros.
O que vamos fazer é tentar criar uma estrutura inicial e sustentá-la por um período mínimo, 30 dias. E a partir daí teremos material para trabalhar. Isso não vai solucionar a vida de ninguém, mas vai abrir possibilidades para esse trabalho se iniciar. Uma retomada de eixo.
Pare de pensar que tudo é ameaça. Subestimamos os resultados que podemos ter em 30 dias de atenção porque queremos resultados imediatos, criamos esse hábito vicioso e precisamos de força para criar um novo hábito virtuoso para substituí-lo.
- Comece a consumir coisas mais belas, boas e verdadeiras, coisas mais harmônicas: As séries que assiste, os vídeos do Youtube que vê, o que você dá atenção enquanto anda na rua, o que pensa enquanto conversa com alguém.
Sem analisar muito, com um olhar rápido e sincero, comece a fazer um inventário de atenção do seu dia. O que tem mais te chamado a atenção, onde o seu olhar repousou com mior frequência no dia e o que ficou mais no seu pensamento após ver? E porque esse fato, pessoa, coisa ou acontecimento?
Esse olhar está te direcionando para onde você quer chegar?
- Procure realizar uma prática de exercício. Preferencialmente alguma coisa que você não consegue. Por exemplo: Fazer uma barra. Não estou falando de uma prática de horas por dia, nem mesmo de uma atividade intensa. Mas algo que faça você se confrontar diariamente com o mundo real, que seja difícil a ponto de te pedir esforço e não impossível a ponto de você querer desistir por nem saber por onde começar.
- Faça planos: Poucos planos, mas retome aquilo que para você é importante no campo prático e espiritual. Determine o que é cumprir esse plano diariamente ou semanalmente e se acostume a cumpri-los, se esforce para isso sem abrir mão. Retome todas as vezes que falhar e observe com atenção: O que te fez falhar; o que te fez conseguir; onde estava sua atenção; pelo que trocou quando não conseguiu; o que surgiu dentro do peito quando conseguiu cumprir.
E por fim, adote práticas que exijam de você longos períodos. Eu sei que hoje sempre penamos que não temos tempo para nada. É justamente essa uma das nossas fontes de constante ameaça e de sofrimento.
Adotar uma prática que requeira de você mais tempo pode não acontecer do dia para a noite. Vai exigir de você uma certa organização e uma atenção ao que realmente importa.
Mas é possível fazer. Isso vai te levar a buscar o desenvolvimento da atenção, de criar o hábito de escolher coisas para as quais as recompensas são de mais longo prazo e o seu cuidado com as coisas e com as escolhas vai se moldar a isso ao longo do tempo.
Se você precisar de algo mais concreto e mais direcionado, há dois caminhos possíveis a partir desse texto.
O primeiro é dar um passo concreto agora. O Terapia Express é um protocolo de sete dias para encontrar um eixo praticável e sustentá-lo por trinta dias. Sem teoria, sem motivação, sem promessa fácil. Só trabalho honesto com a sua realidade.
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