Inventário de Bens
O peso que você imaginou carregar não existe: o que a responsabilidade realmente te pede
Responsabilidade.
Normalmente essa palavra tem, no senso comum, uma conotação quase negativa.
Ela carrega no imaginário da maioria das pessoas um tipo de peso.
Normalmente ligada a um peso necessário a ser carregado, que mesmo que eu não queira preciso cumprir e que na primeira fraqueza que eu tiver acabo por evitar.
É a ideia de trabalhar porque tem boletos a pagar. De acordar cedo porque tem horário a cumprir. De fazer o que tem que ser feito.
Quem disse que é assim mesmo?
Vamos começar a olhar para a palavra de um outro ângulo e começar a nos relacionar com essa ideia de forma um pouco diferente.
Respons / abilidade: Habilidade de responder.
Isso muda o foco completamente do “peso a ser carregado” para o que preciso fazer para ter a capacidade de carregar melhor”. Saímos do preciso fazer para o que preciso dominar. E nos aproximamos muito mais do que o ser humano é mesmo chamado a fazer.
O domínio das coisas é muito próprio do ser humano. Isso que chamamos de responsabilidade é o chamado a esse domínio e à execução da liberdade que temos, que não se trata de fazer o que quiser, mas de ser livre para escolher o bem, escolher o melhor diante de cada situação.
E escolhem muito melhor aqueles que têm domínio do que fazem.
A Responsabilidade do Domínio
Assumir essa responsabilidade e buscar ativamente e conscientemente esse domínio implica primeiramente em nos instalar na realidade.
Quando percebemos uma falta de domínio em algum campo da nossa vida a tendência que temos é a de imaginar uma nova vida. Arrependimentos e frustrações são sempre um tema recorrente quando entramos nesse assunto.
E não deveria ser assim. Ao perceber uma desordem na nossa vida deveríamos rejeitar completamente esse primeiro impulso de imaginar uma nova vida, ou uma vida que poderia ter sido.
Precisamos olhar com ainda mais atenção para a nossa realidade presente para nos instalar nela antes de qualquer movimento.
Vamos nos perguntar primeiramente:
- Quais responsabilidades já assumimos? Nossas promessas e palavras dadas.
- O que sou chamado a realizar hoje, sem mudar nada da minha vida?
- Como posso executar isso da melhor forma possível?
Normalmente a nossa falta de domínio está diretamente ligada à nossa falta de habilidade em cumprir com as nossas responsabilidades. Com a nossa falta de habilidade para responder àquilo que a vida já nos pede nesse momento e na nossa realidade presente.
Então o movimento que deveremos fazer antes de tudo é justamente o que chamo de Inventário de Bens.
Começar a criar consciência das res – ponsabilidades que temos. Res de coisa, sponsal de esposo/esposa. Encarar nossas responsabilidades como deveres assumidos e promessas dignas de perdurarem por uma vida. Nos fazer esposos, querendo fazer aquelas responsabilidades durarem.
Se listo como responsabilidades assumidas ser marido, pai e o trabalho como empreendedor. Preciso logo em seguida começar a olhar as tarefas que preciso cumprir e as habilidades que preciso desenvolver ou ter no meu arsenal para executar isso da melhor forma possível.
Isso será um exercício muito pessoal. Porque a minha forma de ser um bom marido para a minha esposa é diferente de você com sua esposa, ainda que a gente tenha a mesma idade, número de filhos, empregos e rotinas parecidas e situação financeira semelhante.
Nossas experiências de vida são diferentes, o lugar que estamos olhando provavelmente é diferente e as esposas são pessoas diferentes, cada uma com suas particularidades, desejos e experiências distintas. E isso muda tudo.
Olhar para o outro e reunir no seu imaginário possibilidades de vida diferentes é ótimo para ampliar o repertório de ações. Isso vai sim aumentar suas possibilidades humanas, mas lembre-se, nosso objetivo é reduzir nossas possibilidades, estreitar nosso funil até termos muito claro aquilo que precisamos fazer bem feito, e isso será um exercício maximamente pessoal no final do dia.
Você vai ver que ao final desse exercício você terá pelo menos 4 ou 5 responsabilidades com as quais vai querer desenvolver essa relação esponsal e se tornar verdadeiramente responsável por elas, com uma lista maior de obrigações e habilidades que precisam ser sustentadas ou desenvolvidas.
Isso, por si só, já tem um valor incrível e já volta a ordenar nossa vida. Ainda que nada disso tenha sido desenvolvido nesse primeiro momento, o simples fato de saber isso já aponta o caminho e para ter orientação não é preciso chegar ao destino, mas saber para qual lado caminhar.
Faça isso com cada uma das atividades com calma e verá a vida se renovando, sem imaginar ainda uma nova vida diferente da sua e sim uma versão bem feita daquela vida com a qual se comprometeu e que agora passa se comprometer com honestidade e de verdade.
O Inventário de Bens
Fazer o Inventário de Bens significa olhar com sinceridade para:
- o que sei
- o que não sei
- quais competências tenho
- quais responsabilidades já existem
Não estou falando do que você fez simplesmente, ou do tempo de vida que tem. Idade é um dos elementos da experiência. Certas coisas demandam mesmo algum tempo e alguém com 40 anos terá maiores capacidades que outro com 16, mas o que conta de verdade para a nossa personalidade e para a nossa experiência de vida são nossas experiências meditadas.
Então, quando falo em desenvolver consciência das responsabilidades que assumimos, significa começar a olhar para aquelas promessas, aquelas coisas com as quais decidimos ter uma relação esponsal e desenvolver as habilidades necessárias para responder melhor.
Isso não fazemos com um movimento único do nosso pensamento, nem com reflexões profundas e desconectadas da realidade. Fazemos com uma vida vivida e meditada.
Vivida e Meditada.
Assim que começamos a conectar os pontos e a dar unidade a nossa vida. Assim que começamos a fazer mesmo um inventário de bens sem nos confundir entre as habilidades que gostaríamos de ter. as habilidades que precisaríamos ter e as habilidades que realmente temos.
Vivemos um dia, bem vivido, da melhor forma que conhecemos e ao final do dia o avaliamos.
Planejamos o próximo e ajustamos o foco da nossa atenção e o direcionamento dos nossos esforços e repetimos, até ter claro aquilo que sei; aquilo que eu não sei; quais competências eu tenho; quais as reponsabilidades presentes que preciso dar uma resposta pessoal.
Esse é o inventário de Bens e o nosso ponto de partida.
Com isso temos o que os chefs de cozinha chamam de Mise en place, que poderia ser traduzido como colocar no lugar ou colocar em ordem.
Os ingredientes ficam dispostos e organizados prontos para o preparo. O prato ainda não está feito, mas o que você precisa está à mão, organizado e pronto para ser colocado em uso.
A partir daí você vai seguir uma receita. Que diferente de fazer um bolo, para a vida cada um terá uma bem própria, mas com fundamentos que se mostraram funcionar melhor ou pior e nos dão certas dicas e nos limitam de uma forma maravilhosa.
Essa receita vai precisar ser diariamente experimentada, testada e aprimorada. Um novo mise en place deverá ser feito preparando para o novo dia e a vida vai ganhando forma e entrando em ordem.
Pode ser que para a execução da receita você perceba que te faltam alguns ingredientes e para isso você vai precisar fazer certos sacrifícios. Sair para comprá-los, despender tempo, dinheiro, recursos. Isso também faz parte dessa ordem.
Vai perceber que prefere algumas coisas em detrimento de outras e vai alterar a receita e terá que testar novas combinações.
Isso tudo é importante e faz parte de dar essa resposta pessoal. Vai perceber que existem diversos elementos novos e que a vida se refaz, que recomeça e muda o tempo todo, mas que para isso você não precisou abandonar nada daquilo pelo qual se responsabilizou.
Pelo contrário, que para chegar nessa novidade e nessa aventura da vida, o primeiro movimento e o primeiro ato é assumir essa realidade que vive e vivê-la bem, verdadeiramente, com a consciência que a sua vida já te pede agora.
Esse movimento não começa com o ideal. Mas só fica ideal se você começar com o que você é hoje e agora.
Se você reconheceu aqui um padrão da sua própria vida, há dois caminhos possíveis a partir desse texto.
O primeiro é dar um passo concreto agora. O Terapia Express é um protocolo de sete dias para encontrar um eixo praticável e sustentá-lo por trinta dias. Sem teoria, sem motivação, sem promessa fácil. Só trabalho honesto com a sua realidade.
O segundo é começar pelo diagnóstico. Se você ainda não tem clareza sobre onde sua vida perdeu a direção, há um material gratuito que pode ajudar a nomear isso antes de qualquer decisão. → Receber o material gratuito

Sobre o Autor
Bruno Vezzoli é terapeuta, atua há anos com orientação prática a partir da articulação entre vida interior, responsabilidade concreta e sentido.
Seu trabalho parte da convicção de que a vida não se organiza por fórmulas, mas quando a pessoa aprende a lidar com limites reais de tempo, força e circunstâncias, sem perder de vista aquilo que dá sentido às escolhas.
