Caminho de Perfeição
Planejamos fazer perfeito ou planejamos não fazer.
Ninguém é perfeito!
Perfeição não existe!
Errar é humano!
Só dá para fazer o possível, o perfeito é uma utopia!
Feito é melhor do que perfeito!
Eu já escutei isso diversas vezes, em variados contextos. Tenho certeza que você já escutou e talvez já tenha dito inúmeras vezes também. Esses são juízos que carregamos por uma vida inteira, muitas vezes sem pensar de onde vieram e como impactam nossa vida.
A verdade é que ninguém planeja fazer o possível. Planejamos fazer o perfeito ou planejamos não fazer.
Em muitos casos dizemos que vamos fazer uma coisa, ou pior, aparece aquela palavra que quebra qualquer planejamento: vou “tentar” fazer, quando na verdade nossa intenção já é, desde o início, não fazer.
“Vou começar a dieta na segunda-feira!” – Você fala.
Chega domingo à noite já pede aquele lanchão, coloca para dentro um chocolate de sobremesa e ainda faz uma pipoca mais à noite para ver um filme e completa com um brigadeiro. Afinal, amanhã começa a dieta e não vou mais comer essas coisas por um tempo.
Na segunda já começa morrendo de fome, com o corpo pedindo aquelas calorias e comidas gostosas. No café da manhã você vai bem, no almoço pesa tudo, passa o dia pensando na dieta que se propôs a fazer e de noite, já cansado e um pouco mais desatento, come o restante do chocolate que ficou do dia anterior e o planejamento acabou.
Vai ter que ficar mesmo para a próxima segunda!
“Amanhã levo o lixo para fora logo pela manhã” – Você promete para sua esposa.
No dia seguinte alguma coisa mais “importante” aparece, você se esquece, o lixo fica lá. Em algum momento do dia alguém sente o cheiro do lixo e reclama. Pronto a briga está instalada. Por causa de um lixo, por uma bobeira dessa? Não, pela falta do cumprimento da palavra, pela falta de intenção.
As vezes esse motivo não está tão claro para todos, mas está ali, presente, incomodando e causando inseguranças. E claro, não é só um fato isolado.
É que essas pequenas promessas não cumpridas costumam se acumular e vão, pouco a pouco, causando uma grande infiltração na estrutura a partir de uma pequena goteira que pinga dia após dia sem ser consertada com a devida atenção.
O problema central não é a tarefa não cumprida, nem tanto a palavra que com a repetição do erro, vai perdendo peso.
Mas a intenção!
Você não tinha verdadeiramente a intenção de começar a dieta nessa segunda-feira. Você não queria mesmo tirar o lixo pela manhã.
O que queria era não realizar aquela tarefa agora. Provavelmente até queria realizar em outro momento, mas não agora. Certamente quer os resultados daquela tarefa, mas não são tão urgentes assim para você, a ponto de poder deixar para depois.
Isso vai causando na nossa personalidade um efeito de um mentiroso, um traidor.
Parece pesado quando colocado dessa forma, mas é assim. Existe uma forma de nos relacionar com a realidade e se não colocarmos a nossa atenção nesse relacionamento acabamos por criar “mundos paralelos” para poder viver conforme uma perfeição imaginada e com base naqueles juízos que temos, esses que citamos no início desse texto.
A perfeição de não fazer tudo perfeito. Parece que estamos tendo uma grande vantagem.
Agora, período de copa do mundo tem aparecido muito mais vídeos de futebol quando entro no Instagram e no Youtube. Hoje mesmo vi um contando sobre o Romário e como ele fazia o que fazia, mesmo voltando da balada, ou do futvôlei direto para o campo, direto para os treinos. Essas comparações entre os ídolos do futebol de antes e os jogadores de agora.
Não tenho nenhuma intenção de depreciar os feitos desses caras no futebol. Mas dar mais valor as conquistas de um homem porque ele conseguia performar muito bem no futebol apesar dos comportamentos que tinha, também não é o caminho. Ele pode ter escolhido essa trajetória ou ter sido levado a isso, não é esse o ponto de discussão aqui.
Fato é, quando você não busca a perfeição 2 caminhos irão surgir:
O primeiro é o caminho do não fazer, o caminho do “tentar”. Você expressa que quer, mas no fundo sabe que não vai fazer. Planejamos fazer perfeito ou planejamos não fazer.
Os resultados podem não ser iguais aos planejados, isso é verdade. Mas isso não indica que a perfeição não seja possível, indica que falta conquistar alguma coisa, indica que parte do caminho está conquistado e que para o plano de perfeição um percentual foi alcançado e outro ainda falta.
A realização continua no mesmo lugar e vamos nos aproximando a cada dia desse ideal de perfeição. Essa é a luta e é isso que nos dá coerência e constância.
O caminho do não fazer é um caminho descontínuo de curto prazo, que nos leva a olhar só para aquele dia específico, aquela ação errada específica e deixar de lado um projeto de perfeição que poderia existir ali, um lugar de domínio que poderíamos estar buscando a cada dia.
Ali deve estar orientado o nosso esforço. Colocar os meios para que a coisa se realize.
Tenho um projeto, um planejamento para o dia, para a semana, para realizar o que quer que seja. Preciso começar por colocar os meios. Mas não só por colocar os meios, preciso, dia após dia, colocar minha atenção nesse projeto e avaliar a minha atitude e meus atos.
O que ainda preciso corrigir?; onde preciso ganhar força?; quais são as forças que tenho que se eu não direcionar para o objetivo correto vou desvirtuar o plano?; quando abandono ou traio esse plano perfeito, qual outro plano estou buscando realizar?
No fim do dia tenho que ter essas perguntas em mente e ao respondê-las, corrigir a rota para continuar no dia seguinte. Caso contrário são aqueles juízos, lá do começo, que irão surgir na minha cabeça e começar a criar um cenário para uma ruptura com o plano.
Por outro lado, se começo a cumprir com aquilo que me propus a fazer. Se planejo o dia e cumpro com aquele plano, surge em mim uma alegria. Não só de cumprir o que falei que faria, mas porque começo a me relacionar muito melhor com a realidade.
Aquilo que pareciam perguntas que me cobram ao fim do dia começam a ganhar o peso certo de uma vida vivida a sério e as possibilidades de ruptura começam a dar lugar para um refinamento do plano, não para enfraquece-lo, pelo contrário, para torna-lo perfeito, para nos direcionar para uma perfeição.
Assim vamos nos ajustando, ajustando os nossos planos para que sejam justos com a nossa realidade e nossa capacidade e vamos aos poucos buscando essa perfeição. Não uma perfeição de uma ação isolada ou de um dia somente, mas uma perfeição de vida em unidade.
Se não é assim, aparece ali o segundo caminho. O caminho de buscar o domínio em coisas menos importantes, em realidades menores que aparecem como um prêmio de consolação e não como um domínio real da vida.
É ai que surge uma mania de limpeza e uma raiva muito grande daquele lixo que não foi limpo. Ou uma rotina toda orientada para a dieta a estética, a alimentação de atleta e atividades esportivas de 10h nos finais de semana com grupos diversos, para uma pessoa que tem um emprego de 8h às 17h e 3 filhos em casa.
Ao desistir de uma perfeição em um lugar da sua realidade que te chama e pede de você perfeição, você começa a querer dominar e ser perfeito em outros lugares que não são sua vocação, mais uma vez, se tornando um mentiroso e um traidor.
Daí decorrem toda uma série de vícios. Limpeza, leitura, coleções diversas, pesquisas e interesses por temas variados ou várias outras atividades, que poderiam ser muito boas em certos contextos, mas que por falta de domínio em algo que te pede perfeição, você passa a querer ser perfeito onde não foi chamado.
Isso pode se agravar, levando para áreas da vida que sejam não só uma traição vocacional, mas uma traição biográfica mesmo, com vícios maiores de relações fora do casamento, pornografia, drogas, jogos, bebidas e vidas em festas e todo o tipo de vícios que conhecemos.
No caso do Romário mesmo, citado, a necessidade de domínio em conquistar mulheres e sair para festas aparecia muito claramente como uma área que ele buscava dominar e parece, pelas entrevistas, que se orgulhava muito de ter esse domínio.
Não é uma crítica ao baixinho, eu gosto dele e das histórias. Mas uma observação sobre nossa área de domínio que está em jogo.
Ou estamos em um caminho de subida ou estamos em um caminho de descida. Na vida não ficamos parados, não existe essa possibilidade.
Se acredito que não há perfeição e não busco montar um plano de perfeição para a minha vida e nem conquistar essa perfeição, caminho para baixo, baixando o nível daquilo que quero alcançar e vou me piorando cada vez mais, na direção de algo que não seja 100%.
Se por outro lado, tenho em vista um ideal de perfeição, o alimento e olho para essa perfeição todos os dias buscando alcança-la, meu caminho é sempre para cima, na direção desses 100%.
Perceba que nesse gráfico, alguém que está em 20% olhando para o 100% sempre vai olhar para cima e sempre vai buscar soluções para caminhar nessa direção, enquanto alguém que está em 90% olhando para os 51%, que é a ideia que muitos tem de não ser pior do que a média, mas que não dá para ser perfeito, vai continuar olhando para baixo e vai conseguir piorar.
Tenho plena convicção que aquele dos 20% que olha para cima vai chegar ao final da vida muito melhor do que o dos 90% que olha para baixo. Não em performance, não em questões materiais, não é isso, essas coisas envolvem diversos outros fatores. Não tem nada a ver com desejar a perfeição e ficar simplesmente olhando para ela em um mundo de ideias.
Estou falando daquelas pessoas que vivem. Que olham para a vida olhando e desejando a perfeição.
Temos a capacidade de construir um mundo perfeito na nossa cabeça, assim como temos a capacidade de destruir esse mundo com um piscar de olhos, igual o que aconteceu com aquela pessoa que deixou para a outra segunda-feira a dieta.
A grande beleza não está em construir mentalmente essa perfeição, mas em viver isso nesse relacionamento diário entre esses mundos construídos por nós na nossa mente e a realidade, fazendo com que a gente possa ajustar a cada dia o que falta nesse mundo que estamos construindo e em nós de acordo com aquilo que vivemos no real.
Essa é a beleza e é assim que vamos substituindo aqueles primeiros juízos que comecei esse texto com juízos melhores, que serão o fundamento desse plano de perfeição que poderá surgir em nossas vidas.
Isso começa a guiar nossa atenção e nos faz caminhar nesse caminho de perfeição.
Quais são as realidades que você precisava estar dominando e buscando a perfeição? E quais são as que você de fato tem buscado?
Se você reconheceu aqui um padrão da sua própria vida, há dois caminhos possíveis a partir desse texto.
O primeiro é dar um passo concreto agora. O Terapia Express é um protocolo de sete dias para encontrar um eixo praticável e sustentá-lo por trinta dias. Sem teoria, sem motivação, sem promessa fácil. Só trabalho honesto com a sua realidade.
O segundo é começar pelo diagnóstico. Se você ainda não tem clareza sobre onde sua vida perdeu a direção, há um material gratuito que pode ajudar a nomear isso antes de qualquer decisão. → Receber o material gratuito

Sobre o Autor
Bruno Vezzoli é terapeuta, atua há anos com orientação prática a partir da articulação entre vida interior, responsabilidade concreta e sentido.
Seu trabalho parte da convicção de que a vida não se organiza por fórmulas, mas quando a pessoa aprende a lidar com limites reais de tempo, força e circunstâncias, sem perder de vista aquilo que dá sentido às escolhas.
