Toda vida já tem um eixo.
A questão é: Qual?

O que realmente guia a sua vida hoje?

Toda vida já possui um eixo, mesmo quando não percebemos. A questão não é se temos um eixo estabelecido ou não, mas qual é o eixo da vida que estamos vivendo.

Eu poderia ditar uma fórmula pronta e, com muita sinceridade, seria uma fórmula muito boa. Mas sabe o problema que teria nisso? Seria inicialmente apenas teórico, não seria sustentável e não seria propriamente seu.

De nada adianta inserir algo de forma artificial na sua vida, e pouco meditada, para sanar a falta de reflexão e ação consciente. É por isso que, na maioria das vezes, ao tentar mudar algo na nossa vida copiamos ações que parecem bem executadas na vida dos outros e acabamos voltando ao mesmo lugar, ou a um lugar aparentemente pior depois de um tempo.

Veja bem, o que estou dizendo aqui não é para você viver uma vida de reflexão e tomar todas as ações da sua vida de forma muito lenta e meditada.

Também não estou dizendo para criar um modelo original, que só você faz e não tomar ninguém como exemplo, não é isso.

É uma questão de ordenamento prático. Tomar um tempo para olhar as vidas ao redor e meditar naquilo que faz sentido para ser aplicado de forma prática e dentro das suas circunstâncias na sua vida, isso faz a diferença.

Algo irá guiar sua vida, para um lugar mais ou menos ordenado. Se você sabe o que a coisa é e o que está buscando, essa ação tende a ser mais consciente.

Se não sabe, você começa a ser guiado mais pelas emoções presentes no momento do que por uma intenção ou pretensão sua, própria. Ou por um desejo aparente de uma realidade externa que consegue enxergar em um dado momento.

Na prática como isso funciona? Vamos pegar alguns exemplos para ficar mais claro:

Se minha vida gira em torno do prazer. Preciso conseguir enxergar o que quero e o que a coisa de fato é. Uma pessoa que vive em torno de prazer busca, na maioria dos casos uma vida prazerosa e agradável.

De fato, me parece algo bom.

Quem não gostaria de uma vida que satisfaça suas vontades, que te proporcione alegrias e boas sensações tanto físicas quanto de bem estar?

Essa é a aparência de bem que quem vive nessa clave costuma estar buscando. Então, na prática, o que faz é direcionar suas decisões para esse objetivo, em uma (in)constante tentativa de encontrar prazer no que faz ou buscar coisas prazerosas a serem feitas. Mas a realidade do prazer é outra.

Ao buscar prazer vou me deparar com o que o prazer é de fato: algo incerto e completamente imprevisível, inconstante e inconsistente, que varia de acordo com o humor do dia e que reage às expectativas, às circunstâncias ou mesmo ao ambiente.

Minha vida, ao buscar o prazer, terá muito mais das características do que o prazer É, do que daquelas coisas que eu pensei estar em busca em um primeiro momento.

Estarei muito mais próximo de ser alguém inconstante, que faz ou deixa de fazer as coisas de acordo com meu humor, fico mais imprevisível e alguém com quem os outros não possam contar e que precisa ser agradado a todo tempo na esperança que complete o que era esperado de mim. E se essas circunstâncias não são atendidas, me frustro, ou pior, a frustração vem, ainda que essas circunstâncias sejam atendidas, sem nem saber explicar o porquê.

Se o que tem me guiado é o dinheiro, por exemplo, mais uma vez, preciso saber antes o que isso é e o que estou buscando de verdade. Quem busca dinheiro normalmente quer um tipo de segurança e conforto. São os dois elementos que esse poder material pode proporcionar com mais facilidade.

Segurança e conforto são coisas a serem perseguidas e desejáveis, especialmente para aqueles que são responsáveis pela família, no entanto, se o dinheiro guiar sua vida, o mais provável é que você comece, pouco a pouco, a se parecer mais com o dinheiro e não necessariamente a ficar rico ou chegar a alcançar o que pretendia com essa busca (segurança e conforto).

O dinheiro é algo que tem seu valor definido por uma convenção social, que é alterado por políticas externas e pelo movimento de diversas pessoas no mercado. É algo fungível que se valoriza pela falta ou se desvaloriza quando a oferta aumenta.

De certo modo, é isso o que acontece com quem tem na vida um eixo em torno do dinheiro. A pessoa não necessariamente fica rica ou realiza aqueles desejos de conforto e segurança que tinha em um primeiro momento.

Mas vai deixando de lado sua pessoalidade e unicidade e se transformando em algo material e substituível e o que seria em um primeiro momento uma busca por segurança, vai dando lugar a uma insegurança certa, porque começa a pautar suas ações pela convenção social ou pela quantidade de “pessoas iguais a ela” ou “diferentes dela” ou pelo que o “mercado” (as outras pessoas) valorizam e estão dispostas a pagar.

Dito de outro modo, o caminho mais provável não seria o da riqueza, mas o do desconforto e insegurança de quem tem seu valor pautado por políticas externas, de quem se desespera a cada movimento do mercado e não consegue se orientar por algo que leva intrinsecamente ou por algum valor mais estável e sim por um medo de ser substituído ou desvalorizado.

Poderíamos continuar a aplicar outros exemplos aqui, mas acho que já deu para entendermos a linha de raciocínio.

Precisamos ter consciência do que a coisa é e do que estamos buscando com isso para compreender, dentre aquilo que nos chama a atenção, o que podemos e devemos incluir em nossas vidas e como fazer isso.

Caso contrário, corremos o sério risco de apenas tentar viver a vida de outra pessoa e, sem saber o caminho traçado para aquelas ações, ficar apenas reagindo, e com certo atraso, às circunstâncias que nos são apresentadas.

Uma vida reativa sempre irá trazer consigo um medo de mudanças e uma sensação de atraso. Isso gera um ciclo difícil de perceber e difícil de ser quebrado sozinho.

Como você pensa estar atrasado, pensa em mudar algo rapidamente, mas com medo de fazer essas mudanças, começa a sonhar com aquele cenário novo, sem realizá-lo, se sente ainda mais atrasado, sonha com uma vida alheia e busca novas mudanças, em ciclo quase interminável de frustração.

É necessário olhar para cada uma dessas novas ideias, ou aquilo que já tenho por motivação e saber:

  • o que aquilo é e o que aquilo te torna;
  • o que as suas emoções te informam sobre aquilo que tem buscado.

Pela minha experiência, sempre que a sugestão de refletir e olhar para dentro aparece, a maioria das pessoas olham para o que estão sentindo, para suas emoções.

Não é que as emoções não sejam importantes, mas certamente não serão um guia. O ponto é, saber o que elas te informam, para que justamente isso não aconteça, mas que sirvam de aviso para o que VOCÊ está planejando fazer ou deixando de planejar.

As emoções precisam ser conhecidas e trabalhadas para nos servir e nos servir de alerta em muitos casos, não o contrário. Não podemos deixar as nossas emoções escolherem nosso eixo, nem as evitar e fugir delas.

A grande vantagem é integrá-las em nossa vida de forma justa. E podemos falar disso em um outro momento.

O importante agora é entender que uma vida na qual você não consiga reconhecer o eixo no qual você vive e o eixo no qual deveria estar girando em torno, gera um eixo inconsciente.

Sua vida não deixa de ter eixo, mas não necessariamente é aquele que você deveria estar se preocupando.

Pior, provavelmente você continua se preocupando, se cansando e reagindo a um eixo que não reflete a sua vida.

Esse eixo inconsciente gera uma fragmentação, uma sensação constante de atraso diante da vida, de um esforço sem unidade, que parece que por mais que você faça não chega a lugar nenhum e por fim uma espécie de cansaço egoísta.

Aquele cansaço de quem busca um tempo para si, para mais uma vez, “fugir” da realidade e dos compromissos assumidos para descansar (que normalmente se traduz em fazer algo que não requer esforço ou pensamento ativo, mas que também não restaura as energias).

Nesse momento se faz necessário uma reflexão para ação: Em torno de que minha vida tem girado?

Não é necessário um monte de mudanças, nem que tudo seja corrigido ou ajustado ao mesmo tempo.

É hora de instalação na sua realidade presente de forma consciente.

E a partir daí muitas coisas podem ser feitas.

Vamos observar a nossa realidade, o que está á nossa volta, não só o presente, mas de onde viemos, o que temos e o que somos, e assumir um compromisso real em SER.

É a partir daí que começamos a levar a vida com seriedade e com um eixo consistente e consciente.

Se ao chegar aqui você não consegue responder com clareza em torno do que sua vida está girando hoje, esse material foi escrito para você.

É gratuito, curto e direto.

Ao final, há um exercício simples com um único objetivo: ajudar você a perceber o que realmente tem guiado sua vida, antes de tentar mudar qualquer coisa.

Sobre o Autor

Bruno Vezzoli é terapeuta, atua há anos com orientação prática a partir da articulação entre vida interior, responsabilidade concreta e sentido.

Seu trabalho parte da convicção de que a vida não se organiza por fórmulas, mas quando a pessoa aprende a lidar com limites reais de tempo, força e circunstâncias, sem perder de vista aquilo que dá sentido às escolhas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima